... tu és tudo o que eu não acredito e de tudo o que aceito, és o que eu não entendo.

tu és o silêncio do velho poeta, que em teu leito de morte agoniza por não sentir mais dor. tu és a obra inacabada do pintor. tu és esta caneta que eu seguro, cuja tinta se esvai num segundo... como uma ampulheta nova. tu és supernova. tu és nuvem vista daqui de baixo. és louco amarrado, amordaçado e dopado. tu és o silêncio na lápide do meu avô, ou a flor que brotou ao lado da sua jazida. tu és do andarilho, a ida.

... tu és tudo o que não entendo e de tudo o que acredito, és o que eu não aceito.

tu és mulher bonita a olhar-se no espelho. és livro antigo, páginas amareladas, cuidado imenso. tu és sorriso sem riso. lágrimas sem choro. aceno sem despedida. tu és a gilete que corta o pulso do suicida (jorra sangue sem barulho). do sonho, és o ar que eu respiro e da realidade o suor que eu transpiro.

... tu és tudo o que não aceito e de tudo o que entendo, és o que eu não acredito.
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19 Comments:

  1. Rosemary Sanches said...
    Gostei da sua colocação...
    mas contraditório ao se amar igual asas de passarinho...
    O não entender...não entendemos a nós mesmos...
    Sua aceitação é em razão de que?
    Tudo depende...dos valores...mais quem definiu esses valores?
    Já se colocou um pouco mais perto...e não do outro lado da mesa...um pouco distante...ao meu ver.
    Por outro lado expressou sentimentos...a sua alma de poeta, quis argumentar...para mexer...e entender...porém deixo claro que gostei.

    abraços
    Lud said...
    Perfeito =]
    mayla said...
    Ah........que coisa mais clara, mais límpida.......masi simples de sentir...mesmo exprimindo sentimentos por tantas vezes contraditórios, é colocado de uma forma que mais se aproxima da transformação em palavras dos nossos sentimentos, e de forma compreensível....
    Vivian Bandeira said...
    nossa, perfeito!
    margaret said...
    Achei muito inteligente sua colocação...e doce também!
    Mas diria, talvez por minha idade já madura que:
    "O amor é um meio e o único capaz de nos fazer descobrir essa verdade em si mesmo!"
    E com certeza sendo assim,nos faz voar e buscar outros amores...
    de todos os tipos em todos os seres!
    Parabéns pelo blog, está maravilhoso
    Simone said...
    Perfeito! Os detalhes da poesia e a maneira como ela é escrita desperta sentimentos. Parabéns
    Anônimo said...
    LINDO, LINDO ,LINDO!descreve perfeitamente esse misto de sentimentos :amor,angústia,desespero,desejo...tudo tão perfeitamente expressado!minhas sinceras congratulaçoes!
    cristiana
    vall duarte said...
    Orfeu, podia mandar-me um autógrafo pelo correio? Ou por um pombo-correio? Qualquer traço rabiscado pela sua sensibilidade, um ponto, um acento, uma interrogação...o q faço com o nó?

    Ato, desato, ou engulo?

    Qualquer opção será dolorosa, mas aceito com prazer, somente para ver...
    O nó na garganta, enquanto engulo a fanta, o nó do sapato, enquanto me sento e abaixo, ou o nó, ou o nós atados que não podem ser separados?? Me mande uma linha...farei um novelo e seguirei a trilha!

    Eu não entendo...mas não quero q ninguém me explique!
    Fernanda Passos said...
    o que não se entende é o que deseja. ou não?
    ;)
    muito bem escrito. muito!!
    Valquíria said...
    Gostei muitíssimo do poema, quando o li pensei em Deus e em minha mãe, até em mim, que não me entendo... o entender, ser-não-ser, se o "tu" fosse "eu" viria até Fernando Pessoa... enfim, um belo poema!
    Michele said...
    Adorei..achei linduuu..
    mais essa parte mexeu comigo..

    ... tu és tudo o que não entendo e de tudo o que acredito, és o que eu não aceito...

    issu aki pra mim é tudo verdade...
    Estou me apaixonando com cada poema...
    Fernanda said...
    Agradeço e agradeceria mil vezes pelo imenso prazer que a mim proporcionastes com tão belas palavras, transportastes minha alma para a vastidão. A vastidão dos sonhos infinitos, cujas palavras, palavras tão tuas, o enfeitam e, ainda mais, fazem encantar.
    Belíssimo
    Francyelle said...
    Uau!rs

    Lindo!
    mary_aerosmith said...
    Olá...primeiramente quero agradecer por ter sido convidada a ler este lindo blog!
    Escolhi este post para deixar meu primeiro recado porque foi o texto com o qual mais me identifiquei!
    Me fez lembrar uma pessoa da minha vida...
    Ela era para mim essa confusão de sentimentos. Era tudo o que eu não entendia, tudo o que eu não acreditava, tudo o que eu não queria, ao mesmo tempo que era tudo o que eu desejava.
    Entendo perfeitamente.

    O que posso dizer? Lindo, suave, belo, triste...perfeito!
    Angyn said...
    Identificação e sensibilidade são armas letais para analisar um escrito... Mas como não me faço crítica, digo que doeu: pelas lembranças resgatadas, pelo que haveria de ter sido se assim o fosse, pela angústia artisticamente cultivada... doeu, mas consola. Passa, mas cicatriza?
    Vivian

    p.s.: obrigada pelo convite, agradeço multiplamente :)
    IONE LOURDES said...
    Parabéns!
    Só alguém muito sensível,que conhece as mazelas humanas para descrever os sentimentos desta forma.Tudo isto é poesia...vida...,substância e matéria em estado telúrico;correnteza de ênfase e doçura,parecendo retidas,tateantes no limbo da pré-craiação x vida.
    Vejo em vc um escritor pós-moderno com características dos escritores dedois séculos atrás.Ameiiii...
    Marília said...
    Muito, muuuuuito foda esse!
    Meu nome é Márcia Dupim. said...
    Este comentário foi removido pelo autor.
    Meu nome é Márcia Dupim. said...
    Sensível. Vai nos tomando aos poucos e sem nos darmos conta, nos envolve totalmente... Pronto! Estamos irremediavelmente presos à beleza e a completude desse blog! Parabéns aos três! Música, Pintura e Poesia se completam, nos tornando mais completos, tb!

    Adorei esse poema e gostaria muuuuuito de vê-lo no livro!
    Aguardo, ansiosamente, o lançamento viu?
    Bjs!

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