Texto 57
Pense como seria...
Se em algumas verdades houvesse mentiras
E se todas as mentiras em algum momento não fossem de verdade
Pense como seria.
Pense como seria...
Se em um mundo de águas as lágrimas não brotassem de uma amargura da alma
E se a alma virasse sertão, onde choveria, mesmo que em mínima pluviosidade,
as lágrimas da felicidade
Pense como seria.
Pense como seria...
Se em dias que se entedia, se estendia o dia
e ao homem em um jardim, viesse a privação de uma rosa que tendia
E para a rosa, em um só jardim, minguasse a admiração de um único olhar do homem
Pense como seria.
Pense como seria...
Se existisse razão em um sorriso
E se para um sorriso necessitasse a existência de uma razão
Pense como seria.
Pense como seria...
Se no medo da incerteza, não tivesse intrínseco a certeza do medo
e se no medo de se estar certo, não ocorresse a incerteza de se errar
Pense como seria.
Pense como seria...
se o tempo em determinado momento se esgota
como seria se não existisse reticências
Pense como seria...
Texto 56 (musicado)
Texto 55
pensadores e deuses...Suas máquinas, obras, estilos e culturas, dogmas, idéias e crenças
Quando atingem a perfeição,
Depois de pompuoso frenesi
Decaem obsoletos no cemitério dos suplantados.
Oh! Raça humana, implore a Deus
E Deus,
Sempre há de permitir o livre arbítrio
Garantindo eternamente, assim,
O que nos reparar.
Texto 54
Texto 53
Texto 52
Texto 51
Eu observo seu vestido rodado, bailando rápido, como o peão da vida
Eu vejo seu sorriso se abrindo tranqüilo e cumprido como o beijo dos enamorados ou como o sol ascendendo o dia depois de uma noite de lua cheia...
O que temos para fazer hoje?
Texto 50
Já chega!
Traga a verdade pura embrulhada em olhos de celofane
Qual o caminho a percorrer para desvendar os confins da noite?
O crucifixo do caráter queima a pele atordoada no ventre impuro
Da ladra de almas
O único pagamento pelos pecados é a morte
A dor bem vivida traz a liberdade saqueadora das aves de rapina
A boca arqueada deixa minar o veneno adocicado
Palavras peçonhentas da paixão
Credos e sinas para os que acreditam que podem comprar sentimentos
Em qualquer esquina
Senhoras em rugas chorando, seus filhos famintos esperando
Casas transformadas em currais, almas livres confinadas
Famílias de um só indivíduo
Nas cadeiras, poderosos satiros com suas mãos de martelo
Nas cadeias jovens marionetes
E apinhados em asilos, antigos fantoches esquecidos
Palhaços virginais têm fome de felicidade
Em qualquer semáforo, políticos-flanelinhas lunáticos
E esmiuçando as praças como belos pivetes
POETAS EMPUNHANDO CANIVETES!
Basta!
Texto 49
Como o ombro ausente do melhor amigo na esperança contida de uma oração
Texto 48
Texto 47
Para se estender as mãos
Uma solidão que não descansa
Que infesta
Sem festa
Que lasca devagar
A casca mole da alegria
Que expõe o cerne humano
De textura azulada, como pão embolorado.
Seria confortável e animador
Se para cada um de nós existisse um cão faminto
E devora,(dor)... a nos farejar.
Texto 46
dedicado à S.H. ... aquela menina sonhava tanto que chegava a tropeçar nas nuvens do céu. seu nome era Esperança e nada levava nos bolsos, exceto o destino e a luz de todas as estrelas, que não brilhavam mais que seus olhos de primavera.
Texto 45
Texto 44
O mundo como uma grande gaiola
E eu dentro confinado,
Como um pássaro, raquítico e triste
Que entoa um canto tísico
Em troca de migalhas de alpiste.
Texto 43
Texto 42
O prato de comida que sustento na mão
A água morna que despenca do chuveiro
As pedrinhas que chuto no chão
O copo quase vazio da cerveja gelada
E as vozes distantes das pessoas ao meu lado.
Quando nos sentimos sós tudo pesa toneladas...
São rixas de risos e suspiros...
Como o ouro que deixei para trás
Como o céu cinza riscado sem paz
Mais de quinhentas mil lembranças
Dançam sob a moleira que não se fecha
Devaneios de uma mentezinha que se apoquenta.
.
Texto 41

Texto 40
E como eram tristes os seus olhos
Um palhaço sem máscara empurrando seu corpo sóbrio pelas ruas...
Calmo é o lado escuro da lua
Concreto e ferro sustentam seus edifícios de lamúrias
Oh, como é gasto o coração que expulsa o veneno do amor
Frio fica o deserto do peito depois do último pulsar da esperança...
... e como são tristes os seus olhos...
Texto 39
Mataram a Lua com um tiro fotográfico!
Texto 38
Hei, onde esta o brilho do orgulho
Em qual mergulho se atirou a fé
E em que pé
O amargo apertou?
A remela da mentira
No canto do olho
Tolo é acreditar em todo encanto
Hoje não há perguntas para suas respostas
Só,
A solidão de pé
Servindo a mesa do café.
Pesadelo vindo pelo correio,
Sempre é mais leve o arreio
No lombo alheio.
Agora é fácil acreditar no choro,
Difícil é entender o riso e reconhecer o tempo do silêncio.
Texto 37
Texto 36
Para o olho não tem nada
Alfabeto perdido em diminuta circunstância
Sorva o cérebro jovem,
Não escapa aos olhos cegos a tristeza infinita
Epidemia sistemática da vida
É conhecido o olho morto
Cego pela lâmina afiada do desejo
O poeta criminoso tende a só
A angústia do crime perfeito
É a mais pura expressão da ansiedade
Visão única da vida, obsessão
Cegueira passional
Lágrimas de grafite
Íris de um ciclope
Texto 35
Texto 34
Engendrar-te em pensamentos
Poder ver-te nascer por entre as sendas das estrelas e árvores de concreto
É como inalar a divina emoção, cheirar-te o sangue fresco
Mística atração, corpórea, visual, insinuante, sexo virginal
Anjo “fêmea”, sem asas, redonda, placenta iluminada
Xamâ das tribos enamoradas, cega os olhos refletida na pedra mar
Sangra tua luz, estupra a mente do poeta embriagado(r)
Que lhe oferece tua alma de vozes caladas
Esvair, encontrar-te, cemitério dos fracos amantes,
Cripta, cratera dos falsos falantes
Teus mares consolo de eternos, derradeiros, marinheiros errantes
Guilhotina dos antigos martires em seus últimos anseios
oferecem os próprios prazeres e suas cabeças a ti
iris, retina, pupila, olho aberto na noite
beijar tua face escura a quem timidamente mostrará
esconde-te, tanto, por isso és tão desejada e misteriosa
empalidece diante o sol, recebe tua luz, humilde ninfeta
não guarda pra ti os prazeres mas para quem te pretendes
mulher, fêmea, eterno cio, crescente, decrescente
fases de uma mesma face, cheia da orgia celestial
em sua linha circular, segura, adorna os tesões dos deuses
vozes caladas noites embriagadas
morte esperada
pra ti entregarei minha alma lunar.
Texto 33
Texto 32
No final, crianças observam a morte das mães
Olhos fechados represam as lágrimas da dor
Sentimentos estaqueados,
Será que alguém, um dia, me viu triste?
Texto 31
dê-me os minutos do teu relógio adiantado
a saudade se desnuda e roda muda

Texto 30 (musicado)
pegue seu casaco de crochê
pro vento de maio não vencer
.............................pretinha, oh preta
.........................tome essa rosa pra você
..........................e o meu sorriso largo ao te ver
............................pretinha, oh preta
o frio nunca pára de soprar
tenha meu abraço a te aquecer
oh preta
nuvens brancas nunca param de passar
os sábados não param de cantar
longos são os domingos sem você
lindos são os sonhos com você
pretinha, oh preta
dê-me o seu casaco de crochê
deixe que eu seguro pra você
oh preta
amanhã o sol nasce para vencer
e o frio só serviu pra esquecer
me dê o seu casaco de crochê
Texto 29 (musicado)
Vivemos a vida esperando
Numa ilusória utopia
Não desperdice com a tristeza
As poucas alegrias
Temos os dias de primavera
Com a chuva os amigos se perdem
Somos atores de passagem
No ato sem aplausos
Vivemos a frágil felicidade
Florescem os jardins de lápides
Logo é a hora de conhecermos a verdade
Desenrola a serpente da idade
Sentados à margem da estrada
Vivemos nossa curta vida
Precipitam imagens douradas
Do mudo crepúsculo.
Texto 28
A vida é um imenso quebra-cabeça que vamos montando no minuto a minuto, o dia após dia. quando em vez, senta algum amigo do nosso lado (às vezes um desconhecido) e na ajuda, nos ensina nas descobertas, mas ele não poderá estar sempre perto e parte, na sua pessoal sina, sem que possamos obrigá-lo ou sequer esperá-lo que volte algum dia. o montar é solidário, mas o colocar das peças é solitário.
A vida é o imenso quebra-cabeça, cuja sua figura só nos é percebida quando colocamos a última peça, mas isto raramente acontece, pois quase sempre aparece um amor que, vindo de algum lugar, desmancha tudo o que já montamos e parte calado, por algum motivo, indo para não sabemos onde... obrigados pelos sentidos, recomeçamos do zero a montar nossas vidas, peça a peça, mas jamais com o mesmo ânimo... mas jamais com a mesma paixão de antes...
Texto 27
Enquanto o poeta, ejaculava seu sêmen lírico
Ignorando a escuridão e a ignorância da luz
Os monges rezavam, suas verdes orações
Cercadas pela incompreensão dos vales perdidos
Os pássaros riscavam o cinza dos olhos
Sem tocar suas asas pontiagudas e afiadas
Nas pequenas pálpebras que circundam o oceano
Enquanto preparam meu célebre enterro,
As serpentes nos prometem uma vida selvagem
Divertindo às margens do riacho
Amando como as crianças
Na plena fúria do cio,
Sabendo que a vida... é promissora
Perto dos nossos próprios fantasmas.
Na lápide do poeta, havia:
Viva a vida...
Esperando o orgasmo da morte
Texto 26
Texto 25
Texto 24
Encontrando
Com os lábios
A língua
O hálito
A glote
Os dentes;
Texto 23
Texto 22
Acredito na garota
Que vive solta
Com o cérebro em órbita
E cara de palhaço virginal
Perdida no palco da vida
Sangue mensal
Cobre os joelhos
Dedos longos
Lâmina cega
Na carne tocada
Que bondade esta escondida atrás do seu lábio?
Que perversidade esta amostra dentro do seu sexo?
Que sedução que encerra no olho fisgado?
Acredito na garota
Que fala o alfabeto explícito dos animais
Humanamente despigmenta a alma em sais
Misticamente descarna
Os desejos insanos dos machos
Saqueia os amores profundos
Pilha as vidas conjugadas
E enterra os sêmem de plurais
Anseios em seu ventre.
Texto 21

Texto 20
Cavalo coiceando a alma
De dorso selado
Narinas estateladas pelo ar da desesperança
Olhos arqueados ao grande vazio
Espaço da noite, crinas luzidias
A esconder as digitais
De dedos trágicos
Nervos delgados, retilíneo tendão
Íntegro impacto
Parte, o som intrínseco
Música diferente, ecoa dos cascos
Antes libertos
Agora ferrados
Texto 19
infestaram a última fresta.
Desarticular a paz
E multiplicar o caos
Terreno fértil
Para os sabás

Texto 18
Conduza-me à transitividade do amor,
e faça pretérita a tua pobre contrária rima!
Re-cria-me direto o que por direito for!
Re-cria-me inventor de novos léxicos!
Sonhar-te-á!
Sonhar-te-á!
Sonhar-te-á!
Em terra firme dar-me-ei à magia da contemplação,
quando sentir ladrilharem as palmas das minhas mãos!
Vida?
Vida?
Ouça meu apelo de coração aberto:
Conduza-me à não intransitividade dos verbos!







