A cada giro da Terra eu conto um dia
Pensando em como seria bom ter outra vida
Eu vejo o mundo pelos olhos estropiados
Boca torta, barba por fazer, perfume barato
O mundo não pára quando a gente pende a perder
Viver é apostar, é impar vermelho.

Em uma caixa de sapato guardo meu amor
E meus sonhos cansados em outra de isopor
Meu silêncio é um grito acumulado
Presente de todos os dias dos dados
Presente da vida de quem não tem o que fazer
Viver é perder, é impar vermelho.

Mas eu continuo vendo o mundo detrás do espelho
Procurando no inverso alguém que me pareço
E enquanto eu tento enganar o tempo
Vivendo sozinho como estou vivendo
Seguro os dados e os lanços para frente
Viver é um vício, é impar vermelho!

10 Comments:

  1. Karina C. said...
    Está no "meus preferidos" este, agora incluindo o desenho! Qualquer semelhança do desenho com a realidade é mera coincidência, né?...rs... Beijo procêis!
    Isabelle Lins said...
    "O mundo não pára quando a gente pende a perder
    Viver é apostar, é impar vermelho"

    gostei por demais desse poema, do sentimento e veracidade dos versos...

    :)
    Lourdinha said...
    "Em uma caixa de sapato guardo meu amor
    E meus sonhos cansados em outra de isopor
    Meu silêncio é um grito acumulado..."

    Adorei o poema, principalmente esses versos, a rima e a musicalidade brincam com as emoções do leitor. Adorei!
    Luisa Pavanelli said...
    Ih o mundo atraz do espelho eh mbem mais fascinante... parece ser taum perfeito... tento enganar o tempo, mas ele sempre acaba me vencendo pela maturidade.
    Sandrinha said...
    Este comentário foi removido pelo autor.
    Sandrinha said...
    Neste mundo, sinto-me uma caixinha de sapato trancada à chave do meu silêncio.
    Um grand ebeijo da admiradora de tudo isso aqui e boas vindas ao novo integrande.
    Sandra Duarte.
    Nadia Rockenback said...
    Lindíssimos!! Texto e ilustração. Parabéns! Meu abraço!
    Beatrice said...
    Ilustração maravilhosa. Parabéns ao desenhista. Ela 'fala' muito.
    'A cada giro na Terra eu conto um dia'...
    Não sei se o tempo é devasso, mas ele me persegue.
    Linda poesia.
    Bjs
    Nadilce Beatriz
    Rayssa Gomes said...
    É assim que se sentem as pessoas que de fato " existem "* nos dias de hoje... " Sempre detrás do espelho / Procurando no inverso alguém que me pareço ", para assim poder se mostrar, sem que isto lhe custe um pedaço.

    * Pessoas construidas de verdades.

    Ahh, amei esse texto, me disse muito!
    Boa noite a todos! ;)
    Juliana Barreto said...
    "Amei", "adorei", "muito bom"... Já eu, daqui, do outro lado de detrás do espelho, detestei! Destestei me ver assim... Tão ímpar vermelho!!!

Post a Comment




Copyright 2007 | Projeto Reticere