Qual quem julga os galhos ali tortos, ali desgovernados, não ouve o vento dançar as folhas da velha árvore abandonada. No traço que eu me traço, pinto descobertas, estórias que de lá de casa trago, a valer meus amigos e mais nada. Qual quem julga os galhos ali tortos, ali desgovernados, não enxerga as raízes crescerem por dentre o chão calado, sustentando firme a velha árvore abandonada. No traço que eu me traço, pinto infância, lembranças que de lá de casa trago, a valer minha família e mais nada. Qual quem julga os galhos ali tortos, ali desgovernados, não sente o perfume dos frutos caídos ao pé da velha árvore abandonada. No traço que eu me traço, rabisco sonhos que não apago, mesmo com passos tortos e coração desgovernado.

8 Comments:

  1. Hardie Poupette. said...
    Maravilhoso esse blog.

    Lendo este seu texto perturbador e emocionante, lembrei deste trecho que levo guardado, bem apertado dentro da Alma:

    1a. LEITURA DO LIVRO DA SABEDORIA: Sab. 5, 1-5
    "Os justos se erguerão com grande confiança, no último juízo, contra aqueles que os atribularem e lhes arrebataram o fruto de seus trabalhos. Vendo-os assim, os maus se perturbarão, (...) e ficarão assombrados com a súbita salvação dos justos. De si para si dirão, desesperados e angustiados: estes são aqueles que outrora zombávamos e a quem, igualmente, injuriávamos. Nós, insensatos, considerávamos a sua vida uma loucura e a sua morte uma ignomínia. E ei-los que são contados entre os filhos de Deus, e entre os santos está a sua morte."
    Camila said...
    de coraçao desgovernado e passos tortos... e a poesia que parece andar pelos próprios pés... mas não vai torta, vai firme e elegante... gostei desta.
    Lu Oliveira said...
    "Qual quem julga os galhos ali tortos, ali desgovernados, não enxergam as raízes crescerem por dentre o chão calado"

    Perfeito!!!
    Encontrei-me nessas linhas...isso aí..sou eu!!! rsrs..

    Estranho, porém retorcidamente denso, pertinente!!!

    Bjs da Lu Oliveira!
    :P
    Sandra Porto said...
    Amei este texto. Singelo e delicado, convite às imagens do passado íntimo. Parabéns.
    Camilla T. said...
    Dos que eu li, foi o que mais gostei! Espero que este esteja presente no livro que vocês pretendem lançar.
    lucimeiry said...
    Hummmm...até parece que foi feita só para mim...estou inserida nessa poesia. amei.
    Beijos
    said...
    Já eu me vejo aqui: 'No traço que eu me traço, rabisco sonhos que não apago, mesmo com passos tortos e coração desgovernado.'
    Meu nome é Márcia Dupim. said...
    Amei!
    Quem julga, a maioria das vezes, não percebe a intensidade dos sentimentos, a profundidade do próprio "ser", a totalidade da vida! Não percebe "as raízes crescerem por dentre o chão calado, sustentando firme a velha árvore abandonada", nem captam "o perfume dos frutos caídos"... Coitados!

    Espero encontrar esse poema no livro, ok?
    Parabéns pelo projeto! É maravilhoso!

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