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Pense como seria...
Se em algumas verdades houvesse mentiras
E se todas as mentiras em algum momento não fossem de verdade
Pense como seria.
Pense como seria...
Se em um mundo de águas as lágrimas não brotassem de uma amargura da alma
E se a alma virasse sertão, onde choveria, mesmo que em mínima pluviosidade,
as lágrimas da felicidade
Pense como seria.
Pense como seria...
Se em dias que se entedia, se estendia o dia
e ao homem em um jardim, viesse a privação de uma rosa que tendia
E para a rosa, em um só jardim, minguasse a admiração de um único olhar do homem
Pense como seria.
Pense como seria...
Se existisse razão em um sorriso
E se para um sorriso necessitasse a existência de uma razão
Pense como seria.
Pense como seria...
Se no medo da incerteza, não tivesse intrínseco a certeza do medo
e se no medo de se estar certo, não ocorresse a incerteza de se errar
Pense como seria.
Pense como seria...
se o tempo em determinado momento se esgota
como seria se não existisse reticências
Pense como seria...

Suas máquinas, obras, estilos e culturas, dogmas, idéias e crenças
Quando atingem a perfeição,
Depois de pompuoso frenesi
Decaem obsoletos no cemitério dos suplantados.
Oh! Raça humana, implore a Deus
E Deus,
Sempre há de permitir o livre arbítrio
Garantindo eternamente, assim,
O que nos reparar.

Eu observo seu vestido rodado, bailando rápido, como o peão da vida
Eu vejo seu sorriso se abrindo tranqüilo e cumprido como o beijo dos enamorados ou como o sol ascendendo o dia depois de uma noite de lua cheia...
O que temos para fazer hoje?
Traga a verdade pura embrulhada em olhos de celofane
Qual o caminho a percorrer para desvendar os confins da noite?
O crucifixo do caráter queima a pele atordoada no ventre impuro
Da ladra de almas
O único pagamento pelos pecados é a morte
A dor bem vivida traz a liberdade saqueadora das aves de rapina
A boca arqueada deixa minar o veneno adocicado
Palavras peçonhentas da paixão
Credos e sinas para os que acreditam que podem comprar sentimentos
Em qualquer esquina
Senhoras em rugas chorando, seus filhos famintos esperando
Casas transformadas em currais, almas livres confinadas
Famílias de um só indivíduo
Nas cadeiras, poderosos satiros com suas mãos de martelo
Nas cadeias jovens marionetesE apinhados em asilos, antigos fantoches esquecidos
Palhaços virginais têm fome de felicidade
Em qualquer semáforo, políticos-flanelinhas lunáticos
E esmiuçando as praças como belos pivetes
POETAS EMPUNHANDO CANIVETES!

Como o ombro ausente do melhor amigo na esperança contida de uma oração
Para se estender as mãos
Uma solidão que não descansa
Que infesta
Sem festa
Que lasca devagar
A casca mole da alegria
Que expõe o cerne humano
De textura azulada, como pão embolorado.
Seria confortável e animador
Se para cada um de nós existisse um cão faminto
E devora,(dor)... a nos farejar.