
quando a tua canção favorita já não lhe diz mais nada
... aquela menina sonhava tanto que chegava a tropeçar nas nuvens do céu. seu nome era Esperança e nada levava nos bolsos, exceto o destino e a luz de todas as estrelas, que não brilhavam mais que seus olhos de primavera.
O mundo como uma grande gaiola
E eu dentro confinado,
Como um pássaro, raquítico e triste
Que entoa um canto tísico
Em troca de migalhas de alpiste.


O prato de comida que sustento na mão
A água morna que despenca do chuveiro
As pedrinhas que chuto no chão
O copo quase vazio da cerveja gelada
E as vozes distantes das pessoas ao meu lado.
Quando nos sentimos sós tudo pesa toneladas...
São rixas de risos e suspiros...
Como o ouro que deixei para trás
Como o céu cinza riscado sem paz
Mais de quinhentas mil lembranças
Dançam sob a moleira que não se fecha
Devaneios de uma mentezinha que se apoquenta.
.


E como eram tristes os seus olhos
Um palhaço sem máscara empurrando seu corpo sóbrio pelas ruas...
Calmo é o lado escuro da lua
Concreto e ferro sustentam seus edifícios de lamúrias
Oh, como é gasto o coração que expulsa o veneno do amor
Frio fica o deserto do peito depois do último pulsar da esperança...
... e como são tristes os seus olhos...
.
Hei, onde esta o brilho do orgulho
Em qual mergulho se atirou a fé
E em que pé
O amargo apertou?
A remela da mentira
No canto do olho
Tolo é acreditar em todo encanto
Hoje não há perguntas para suas respostas
Só,
A solidão de pé
Servindo a mesa do café.
Pesadelo vindo pelo correio,
Sempre é mais leve o arreio
No lombo alheio.
Agora é fácil acreditar no choro,
Difícil é entender o riso e reconhecer o tempo do silêncio.

Para o olho não tem nada
Alfabeto perdido em diminuta circunstância
Sorva o cérebro jovem,
Não escapa aos olhos cegos a tristeza infinita
Epidemia sistemática da vida
É conhecido o olho morto
Cego pela lâmina afiada do desejo
O poeta criminoso tende a só
A angústia do crime perfeito
É a mais pura expressão da ansiedade
Visão única da vida, obsessão
Cegueira passional
Lágrimas de grafite
Íris de um ciclope

Engendrar-te em pensamentos
Poder ver-te nascer por entre as sendas das estrelas e árvores de concreto
É como inalar a divina emoção, cheirar-te o sangue fresco
Mística atração, corpórea, visual, insinuante, sexo virginal
Anjo “fêmea”, sem asas, redonda, placenta iluminada
Xamâ das tribos enamoradas, cega os olhos refletida na pedra mar
Sangra tua luz, estupra a mente do poeta embriagado(r)
Que lhe oferece tua alma de vozes caladas
Esvair, encontrar-te, cemitério dos fracos amantes,
Cripta, cratera dos falsos falantes
Teus mares consolo de eternos, derradeiros, marinheiros errantes
Guilhotina dos antigos martires em seus últimos anseios
oferecem os próprios prazeres e suas cabeças a ti
iris, retina, pupila, olho aberto na noite
beijar tua face escura a quem timidamente mostrará
esconde-te, tanto, por isso és tão desejada e misteriosa
empalidece diante o sol, recebe tua luz, humilde ninfeta
não guarda pra ti os prazeres mas para quem te pretendes
mulher, fêmea, eterno cio, crescente, decrescente
fases de uma mesma face, cheia da orgia celestial
em sua linha circular, segura, adorna os tesões dos deuses
vozes caladas noites embriagadas
morte esperada
pra ti entregarei minha alma lunar.
No final, crianças observam a morte das mães
Olhos fechados represam as lágrimas da dor
Sentimentos estaqueados,
Será que alguém, um dia, me viu triste?

dê-me os minutos do teu relógio adiantado
a saudade se desnuda e roda muda

pegue seu casaco de crochê
pro vento de maio não vencer
Vivemos a vida esperando
Numa ilusória utopia
Não desperdice com a tristeza
As poucas alegrias
Temos os dias de primavera
Com a chuva os amigos se perdem
Somos atores de passagem
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A vida é um imenso quebra-cabeça que vamos montando no minuto a minuto, o dia após dia. quando em vez, senta algum amigo do nosso lado (às vezes um desconhecido) e na ajuda, nos ensina nas descobertas, mas ele não poderá estar sempre perto e parte, na sua pessoal sina, sem que possamos obrigá-lo ou sequer esperá-lo que volte algum dia. o montar é solidário, mas o colocar das peças é solitário.
A vida é o imenso quebra-cabeça, cuja sua figura só nos é percebida quando colocamos a última peça, mas isto raramente acontece, pois quase sempre aparece um amor que, vindo de algum lugar, desmancha tudo o que já montamos e parte calado, por algum motivo, indo para não sabemos onde... obrigados pelos sentidos, recomeçamos do zero a montar nossas vidas, peça a peça, mas jamais com o mesmo ânimo... mas jamais com a mesma paixão de antes...

Enquanto o poeta, ejaculava seu sêmen lírico
Ignorando a escuridão e a ignorância da luz
Os monges rezavam, suas verdes orações
Cercadas pela incompreensão dos vales perdidos
Os pássaros riscavam o cinza dos olhos
Sem tocar suas asas pontiagudas e afiadas
Nas pequenas pálpebras que circundam o oceano
Enquanto preparam meu célebre enterro,
As serpentes nos prometem uma vida selvagem
Divertindo às margens do riacho
Amando como as crianças
Na plena fúria do cio,
Sabendo que a vida... é promissora
Perto dos nossos próprios fantasmas.
Na lápide do poeta, havia:
Viva a vida...
Esperando o orgasmo da morte

Encontrando
Com os lábios
A língua
O hálito
A glote
Os dentes;


Acredito na garota
Que vive solta
Com o cérebro em órbita
E cara de palhaço virginal
Perdida no palco da vida
Sangue mensal
Cobre os joelhos
Dedos longos
Lâmina cega
Na carne tocada
Que bondade esta escondida atrás do seu lábio?
Que perversidade esta amostra dentro do seu sexo?
Que sedução que encerra no olho fisgado?
Acredito na garota
Que fala o alfabeto explícito dos animais
Humanamente despigmenta a alma em sais
Misticamente descarna
Os desejos insanos dos machos
Saqueia os amores profundos
Pilha as vidas conjugadas
E enterra os sêmem de plurais
Anseios em seu ventre.


Cavalo coiceando a alma
De dorso selado
Narinas estateladas pelo ar da desesperança
Olhos arqueados ao grande vazio
Espaço da noite, crinas luzidias
A esconder as digitais
De dedos trágicos
Nervos delgados, retilíneo tendão
Íntegro impacto
Parte, o som intrínseco
Música diferente, ecoa dos cascos
Antes libertos
Agora ferrados

infestaram a última fresta.
Desarticular a paz
E multiplicar o caos
Terreno fértil
Para os sabás

Conduza-me à transitividade do amor,
e faça pretérita a tua pobre contrária rima!
Re-cria-me direto o que por direito for!
Re-cria-me inventor de novos léxicos!
Sonhar-te-á!
Sonhar-te-á!
Sonhar-te-á!
Em terra firme dar-me-ei à magia da contemplação,
quando sentir ladrilharem as palmas das minhas mãos!
Vida?
Vida?
Ouça meu apelo de coração aberto:
Conduza-me à não intransitividade dos verbos!

Abraça-me agora.
Não digas nada.
Tanto faz...
Se é mar ou se é enseada.
Se é partida ou se chegada.
Se é caminho ou caminhada.
Abraça-me apenas.
Tanto... tanto... tanto...
E não digas nada.
Tanto faz.

Que deixam transparecer os desejos
Como o mais límpido lago
Que nos leva ao inferno
Mostrando os pecaminosos pensamentos
Engendrados na virgem mente
Cerram-se as pálpebras mortais.


e nos meus olhos ficaram fragmentados, deveras,
todos os versos meus que não foram colhidos
e o verde de todas as minhas primaveras...

Conservados fixos na vertical
Os esteios, os montes
Os espantalhos e seus corvos
As cruzes e as pirâmides,
Dos belos funerais
E os dizeres com suas lápides.
Conservados fixos na horizontal
As pontes, os mares, os cadáveres
E o pôr-do-sol imortal
Conservados fixos represados
Os lagos, o amor, a urina, os pensamentos
Coágulos do cérebro...
A essência da alma.

